
O Puto em Maputo, está agora colaborando com artigos no Global Voices.
Para acessar basta entrar no http://globalvoicesonline.org/
O texto: Sudan: Surviving without the help of NGOS está disponível em inglês e português.

O Puto em Maputo, está agora colaborando com artigos no Global Voices.
Para acessar basta entrar no http://globalvoicesonline.org/
O texto: Sudan: Surviving without the help of NGOS está disponível em inglês e português.
A região de Abeche era atendida pelos Médicos sem Fronteiras. Apesar de ser uma Ong muito conhecida, o MSF foi uma das expulsas do Sudão. Entre os trabalhos realizados, talvez os campos de refugiados sejam os locais mais sensíveis onde eles atuavam. Em Kalma, situado ao sul da região de Darfur, o campo de 6 quilômetros quadrados mantém 100 mil pessoas, vivendo em “casas” de madeira, plástico e tudo que pode ser usado com proteção contra as altas temperaturas durante o dia e as baixas temperaturas da noite.Infográfico da região de Darfur do dia 5 de março, com descrição da faixa da população afetada pela expulsão das ong's. São 4.7 milhões centros populacionais atendidos pelas Ong's As 13 Ong's expulsas: Action Contre la Faim; Solidarité; Save the Children (UK and US) Médicos sem Fronteiras (NL&FR); CARE International; Oxfan; Mercy Corps; International Rescue Committee; Norwegian Refugee Concil; CHF e PADCO. Material distribuido pela ReliefWeb.
A Save the Children é outra que também atuava no Sudão a mais de 20 anos e a 6 trabalhava com refugiados de guerra na região de Darfur e Kordofan Sul, uma região onde no ano de 2008 teve o regresso de mais de 50.000 adultos e crianças, onde se mantinha um trabalho emergencial. Segundo Charles MacCormack, presidente da Ong a retirada “terá graves consequências para os mais de 1 milhão de crianças e famílias que a agência vinha apoiando em Darfur Ocidental, Kordofan do Norte, do Sul e Mar Vermelho Kordofan Estados e comunidades em Abyei e perto de Cartum“.
Entre outros projetos a Save the Children cuidava da distribuição de alimentos (3.583 Toneladas de alimentos em 44 localidades), água e saneamento (448 pontos de água e 177 bombas de água que atendem cerca de 201.500 pessoas) Saúde Primária, agricultura, além da construção e formação de professores.
Outra expulsa foi a CARE, que atuou durante 28 anos no país. Paralisou-se todas as atividades, tendo parte de seu equipamento confiscado pelo governo sudanês, computadores, carros e casas, a CARE atuava com projetos na área da agricultura, água, e saneamento básico, além de educação e saúde, a Norwegian Refugee Councill relata que além de ter o material confiscado pelo governo seus funcionários foram presos e sofreram agressões. A OXFAM, a 26 anos no Sudão, atuava diretamente com 600 mil sudaneses, também deixou o país e espera pelo retorno.
Interessante observar o que se passou com a Save the Children: Save the Children E.U.A. e Save the Children do Reino Unido tiveram suas licenças cassadas, mas a Save the Children Suécia, não. Uma clara expulsão devido ao país da organização. Com o trabalho no norte do Sudão Save the Children Suécia continua suas atividades de proteção infantil e programas educacionais no norte de Darfur, Nilo Azul e Cartum.
A previsão da maioria das Ong's é de um desastre nos centros de refugiados, um número estimado de 4.7 milhões de pessoas serão afetadas, destas espera se uma diáspora de 2.7 milhões, 1.5 milhões necessitam de alguma ajuda médica, 1.1 milhões não possuem o que comer e 1 milhão não tem acesso a água, (dados da OCHA) além disso “doenças como pneumonia, malária e a meningite não terão mais tratamento e possivelmente se tornarão endêmicas” relata Lydia Geirsdottir (MSF).
Por conta disso a UNAMID espera um enorme movimento migratório “Uma das coisas que vamos avaliar é possível os fluxos migratórios”, afirmou Lise Grande, Vice Coordenador da ONU na região, “se espera uma movimentação interna de 36.000 pessoas, outras 16.000 podem migrar para a República Democrática do Congo e outras 50.000 partiriam para os demais países vizinhos principalmente Chad”.
Espera-se uma atuação da União Africana para esta questão, Thabo Mbeki, ex presidente da África do Sul e pessoa muito influente, já foi indicada como presidente da comissão de inquérito. Ele irá buscar um processo de paz para a região e avaliar o mesmo que o TPI já está julgando, os crimes de guerra e contra a humanidade, ocorridos em Darfur.
As últimas notícias que chegam são de que os ataques aos refugiados e as forças da UNAMID estão se proliferando na região. Ontem, 18/03 a ReliefWeb disponibilizou mais um gráfico apontando os locais onde ocorreram os ataques, e onde as forças da UNAMID estão concentradas.
O que sinto é que apesar dos esforços, a União Africana não tem experiência nem estrutura para por fim a uma questão tão ampla como esta, a UNAMID tenta manter palhativamente um sistema de segurança mas não tem com fornecer a segurança a todo um país.
Sem uma resposta forte internacional, infelizmente a resolução do Tribunal Penal Internacional somente sentenciou a morte a populaçnao de Darfur, enquanto aqueles que deveriam estar sendo julgados continuam livres, com tempo para continuar e finalizar o extermínio de milhões de Sudaneses, até quando? Quanto tempo precisamos dar a Omar Hassan Ahmad al-Bashir para ele terminar o que começou?
Ontem tive uma conversa muito interessante com um amigo zimbábweano. Contente comecei a contar-lhe sobre o Tribunal Penal Internacional (TPI), sobre sua atuação e sua decisão no caso de Darfur, o presidente do Sudão agora tem uma ordem de prisão, isso é um aviso para todos na África, existe lei e cedo ou tarde ela será feita.
Por que será que só agora que estou no continente africano é que começo a saber sobre o que ocorre por aqui? Paguei tanto para ir aos cinemas, assistir a filmes de ficção onde o bem e o mal lutam com "feixes de luz" e me impressionar com cenas de congressos formados por representantes de inúmeros planetas e galáxias distantes, sem saber que isso acontecia, muito mais perto e de forma muito mais emocionante. Um desabafo de quem adora Guerra nas Estrelas!
Dia 4 de março o Tribunal Penal Internacional (TPI) emitiu a ordem de prisão contra o presidente do Sudão, Omar Hassan Ahmad al-Bashir (foto ao lado), no governo desde 1989, baseado no processo aberto por um argentino, Luis Moreno Ocampo. Após aceita a denúncia o presidente teve sua prisão decretada, e será preso, se for a algum país que reconheça o tribunal internacional. Atualmente são 108 países, o Sudão não reconhece o tribunal assim como Moçambique, Zimbábwe, Angola, entre outros.