A Zanta Media (sede em Washington, DC ) lança a série Habesha Life que trata sobre a vida cotidiana dos africanos na cidade de Washington DC (EUA), não consegui descobrir de quais países são os atores, mas acho que todos são de países anglófonos.
Os capítulos terão de 8 a 16 minutos, produzidos para web em PB, serão lançados no site VIMEO, similar ao YouTube, mas com alta qualidade. A festa de lançamento foi dia 12 de fevereiro, na net já se encontram os capítulos 1 e 2.
Aqui vai o primeiro Capítulo que acabo de assistir, vale a pena esperar o download, estou curioso para assistir aos próximos capítulos.
Outra série que está para ser lançar aqui em Maputo é N'TXUVA, Vidas em Jogo , filmada por um grupo de brasileiros que vieram para cá e fizeram uma super produção, L.B. Nosso Roomater foi uma espécie de guia em terras moçambicanas para a equipe além de atuar com "dentista" na série. Se eu conseguir, quando lançar eu posto os capítulos para vcs verem!
Ontem foi a despedida do Estrela, o brasileiro que me trouxe para Moçambique, depois de 4 anos por aqui ele decidiu voltar de vez para o Brasil.
Ontem tivemos o último copo, é assim que se fala por aqui uma breja. Para comemorar, eu, Thá, e mais algumas amigas Tugas resolvemos esticar e acabamos no Gil Vicente, um Bar com música ao vivo com uma programação diária. Ontem era karaoke, por aqui se fala karaó-ke.
Programação da semana, fomos ontem terça-feira
Tem uma banda ao vivo, guitarra, baixo, bateria, teclado e um cabeludo com uns chocalhos, quem quiser pede uma música sobe no palco e vai cantar, e acreditem todo mundo vai! Ainda não foi desta vez que soltei minha voz, mas "hei de soltar".
Enfim ficamos bebendo uma "pressão" e ouvindo um "play list" que vai de Roberto Carlos, passando por Blur e acabando nas Marrabentas (Músicas Moçambicanas). Faltou nosso amigo Chateaubriand, o rei das noitadas!
A casa fica ao lado de um cinema; o "Cine Gil Vicente" um cinema da baixa da cidade. O Xenon é a sala que costumo frenqüentar, na parte alta de Maputo. Com isso temos os dois cinemas e ainda um terceiro, mas que só passa filmes indianos.
Achei este vídeo no YouTube para dar uma idéia de como e por lá, na próxima faço um filme eu mesmo.
A parte triste de estar em Moçambique é que só depois se sabe que o Oscar já foi, não tem como entrar no clima de um Oscar por aqui, é uma festa tão distante de nossa realidade que perde-se todo o sentido da comemoração e olha que eu sou apaixonado por cinema e Oscars, herança de minha mãe, sempre assisti aos Oscars e aos filmes.
Mas não é que tem um lado bom de estar aqui! Acabo de descobrir que a tv moçambicana vai passar todos os filmes do Oscar! Com esta ninguém esperava. Mas é! Aqui temos a TVM, SOICO e a TIM, as emissoras daqui não tem dó, investem pesado em filmes! Para se ter uma idéia esta semana vou assistir ao ganhador do Oscar Quem Quer Ser Um Milionário? além de já ter assistido no sábado de manhã Wall-E (este por sinal assisti umas 3 vezes). O Curioso Caso de Benjamin Button também está na lista, acho que só não vai passar os documentários e o Japonês que ganhou de melhor filme em língua estrangeira.
O único problema é que ás vezes as filmagens não são boas, porque os filmes são de "barraquinha" ou melhor dizendo cópias piratas disponibilizadas pela na net! Já pararam para pensar que o cinema e a moda chegam a todos os cantos do mundo? Inclusive nos países mais pobres, de inúmeras maneiras? Seja pela internet, seja pela tv ou mesmo pelo cinema, a "globalização" tem frutos realmente espetaculares, o exemplo é este: em Moçambique é tão comum se ver filmes piratas que a própria TV do governo os passa.
Por sinal eu tenho uma carterinha em uma locadora de filmes, alguém acha que os filmes são originais?
Mudando de assunto; agora vou passar repelente, ir ao Xenon; um dos 3 cinemas de Maputo, assistir "O dia em que a Terra Parou", comer pipoca fria e ver o intervalo. Sim o cinema daqui tem intervalo no meio do filme!
Durante esta semana li em alguns blogs textos com este título, comentando sobre diferenças em Angola de brancos e negros. Já moro em Moçambique a nove meses e sempre falei da hospitalidade moçambicana, mas neste fim de semana de Carnaval, acabei pela primeira vez a sentir na pele o racismo ou a discriminação por causa de minha cor.
Mercado do peixe tem de tudo!
No Sábado fomos ao mercado do peixe, ainda não falei de lá, mas é um de meus lugares favoritos em Maputo. Uma feira de frutos do mar a céu aberto, onde se compra de tudo: peixes, caranguejos, ostras, lulas, lagostas, tudo fresco e muito bom. É preciso escolher nestas barracas o que se quer comer, e seguindo por um corredor na parte de traz, há vários restaurantes que preparam na hora o que foi comprado, enquanto espera-se na sombra pela comida, bebendo e ouvindo um músico local cercado de vendedores tentando "empurrar" um monte de artesanato.
Como freqüento muito este local, uma das garçonetes já me conhece e sempre fica feliz quando chego, pois a conta sempre é alta. Desta vez estava indo para mostrar o "sitio" (lugar) para o MK; um americano que acaba de chegar. Chegamos e fomos muito bem recebidos, porém uma confusão começou quando a garçonete preparando a mesa para nós, puxou um sombreiro para nos proteger do sol e descobriu um casal de moçambicanos.
Não tivemos tempo de pedir desculpas e a mulher começou a vomitar palavras, xingando a nós de "brancos safados", e a garçonete de "preta". A mulher gritava falando que não aceitava ficar ao sol por causa do dinheiro dos brancos que estava no país dela e mais um monte de palavrões. No meio da confusão resolveu arrancar ela mesma o sombreiro, que grande e desajeitado caiu sobre as mesas, causando mais confusão ainda. Os xingos e berros eram para mim e a garçonete que era moçambicana.
Tentei me desculpar e tentar contornar a situação, mas sem condições quanto mais tentávamos, mais eram os gritos e palavrões. AN que era a garçonete estava quase chorando pedindo desculpas, quando resolvi ir para o outro lado da feira, para dentro do restaurante e lá falei que queria sim ser atendido por ela, mas não na praça e sim dentro do restaurante.
Parte de traz, uma praça onde todos comem a sombra de uma árvore e sombreiros (guarda-sol)
No final comemos muito bem e fomos muito bem atendidos, mas aquilo ficou na cabeça, éramos os únicos brancos da feira naquela hora. Ficamos fragilizados quando somos segregados por causa da cor. Não sei se os outros que estavam a volta pensavam como ela ou apenas observavam a confusão, me senti realmente acuado afinal éramos os únicos brancos da feira.
Camarão que almoçamos no mercado
Passeando depois pela cidade de Maputo ainda me sentia desconfortável e imaginava: - Será que as pessoas que me cercam, viram o que aconteceu no mercado do peixe? Será que estão olhando e falando "lá vai aquele branco do mercado do peixe?".
Percebi que não importa o que eu pense ou minhas ações, sou branco e esta informação chega antes de qualquer outra, e ser classificado como "branco safado", é como carregar um aplaca com isso escrito no pescoço. Nossa garçonete A. veio pedir mil desculpas e falou que eles estavam muito bêbados e que ela gostava muito de nós, pois sempre a tratamos muito bem, mas acho que vou dar um tempo no mercado.
E para ajudar no dia seguinte, depois do carnaval no CFM (Caminhos de Ferro de Moçambique), o qual ainda vou escrever, fomos a piscina e novamente presenciamos uma briga, agora de moçambicanas, com direito a porrada, garrafada e tudo mais. Ao serem postas para fora da piscina pelos guardas, uma das moçambicanas gritava: - Adeus brancos! Não volto neste lugar! E eu só estava lá por causa da piscina e do sol, não tinha nada a ver com aquilo...
E se eu fosse negro em Moçambique? Será que as coisas seriam diferentes?
Claro que a bebedeira de carnaval é responsável por boa parte desta "euforia", mas isso me fez pensar mais a respeito. Quando vou comprar legumes ou frutas nas barracas, por ser branco sempre pago mais caro, o taxista sempre tenta cobrar a mais e mesmo os pedintes sempre vão pedir aos brancos que andam pelas ruas. É claro que os brancos estão aqui a trabalho e ganham bem, mas há negros que ganham tão bem quanto, e isso não é motivo para esta separação social. Claro que é muito diferente da África do Sul onde há um aparente ódio entre brancos e negros, mas ainda falta muito para se vivermos uma situação igual a do Brasil.
E antes que comecem a discutir se Brasil é racista ou não, acho que há muitas diferenças:
1 - No Brasil se discute esta questão nas escolas, mídia, etc. 2 - Aqui não há mistura, é difícil ver casais brancos e negros juntos 3 - A imagem do colonizador branco é ainda muito forte 4 - Talvez se eu fosse negro não sentisse tanto esta diferença.
Como seria se eu fosse negro no brasil? Será que eu pensaria desta forma?
Hoje é aniversário do "presidente" do Zimbabwe Robert Mubgabe (21 de Fevereiro de 1924), o quê mandar para ele de presente?
Podemos pensar e tentar selecionar pelo que ele gosta: o Zimbabwe. Mas ele já falou que é dele, por isso não vale a pena dar o que ele já tem, talvez outro país? Acho que não, isso dá muita dor de cabeça.
Casas? Ele tem várias, acabei de saber que ele está terminando uma mansão na China.
Talvez um carro, mas tem que ser um belo carro, aqui gostam muito dos Hummers, quem sabe ele ainda não tenha, duvideodó.
Uma festa? Quem iriamos convidar? A maioria daria uma desculpa esfarrapada e não iria a festa e eu já tenho planos para hoje, além de ser difícil enconatrar garçons para a festa, a maioria parece estar com Cólera, eta desculpa esfarrapada para não se trabalhar.
Talvez algo de ouro... acho que sua mulher já comprou muito.
Bom talvez algo mais simples, já sei, vou dar uma limpadinha na praça de Moçambique que leva seu nome, será uma ação para a comunidade e em homenagem a ele, se bem que constantemente tem acidentes de carros nesta praça, acho que a praça foi mal desenhada.
Hoje o Jornal Notícias deu uma pequena nota que quase passa desapercebida: "O Último Voo do Flamingo" vai ser adaptado para o cinema. Li este livro quando cheguei em Moçambique, foi meu primeiro contato com as histórias, a forma de pensar e o cotidiano do povo moçambicano.
Um trama policial leve e cheio de construções e formas narrativas bem diferentes. O que dizer de uma magia que faz as anotações do policial desaparecerem ou de uma outra que faze todos os homens na hora do orgasmo explodirem? Ainda sem estragar a história, o melhor personagem é uma mulher que tem o rosto de uma velha e o corpo de uma jovem muito sensual, por isso se passa por duas, ora mostrando o rosto, ora mostrando o corpo.
Para quem não leu vale a pena, o livro é escrito em português, mas frequentemente possui palavras de dialetos e expressões idiomáticas típicas moçambicanas. Mia Couto (1955) é da Beira, segunda maior cidade depois de Maputo, e segundo meu amigo L.C. todos que nascem na Beira são especiais, acredito que sim, L.C. é um das poucas grandes pessoas que conheci por aqui.
O filme será realizado pela Fado Filmes (que nome hein!) em parceria com o ICA (Instituto do Cinema e do Audiovisual), RTP (Rádio Televisão Portuguesa), VídeoFilmes (do realizador brasileiro Walter Salles) e AMOCINE (Associação Moçambicana de Cineastas).
E não é que no mesmo dia em que eu escrevi sobre África Global, o jornal Diário de Moçambique teve esta capa?
Joaquim Chissano é o ex-presidente, ex-Ministro do Negócios Estrangeiros, político influente e grande orador. Por essa capa de notícia, podemos ter uma idéia de como é a linha política e a formação em Moçambique. Detalhe: Sim o designer cortou fora a mão do ex-presidente, acreditam?