quarta-feira, janeiro 14, 2009

Os Voortrekkers

O painel que se encontra dentro da Sala dos Heróis relata anos de história de um povo, um relato longo, mas que estou adorando estudar. Dentro da Sala dos Heróis nas quatro paredes e acima das portas laterais, há um grande painel de mármore com 2.3 metros de altura que circula toda a sala. Têm 92 metros de comprimento, foi todo esculpido em alto relevo e é lá que se encontra a história dos Voortrekkers. Peço aqueles que gostam de arte que antes de lerem o que escrevo, façam um simples exercício de lerem as imagens, pois a obra é muito clara em sua narrativa e com certeza muito mais rica que um texto. (opinião de um artista plástico).

1 - Os Voortrekkers Partem da Colônia do Cabo


O primeiro painel trata do início da jornada, a saída dos Voortrekkers da Colônia do Cabo em direção ao centro do País. Nele aparecem inúmeras características do povo, seu gado, bois e carneiros, alimentos, uma saca de grãos sendo posta no carro, utensílios domésticos (na figura da feminina a esquerda) e à direita instrumentos musicais. Ao fundo a imagem do horizonte africano com suas montanhas de cume reto (o topo das montanhas são gastas). Notam-se algumas armas (duas) vale a pena observar o rico trabalho do escultor, a profundidade criada por todo o painel é "fantástica"!

2 - Os colonos Britânicos entregam uma Bíblia aos líderes dos Voortrekkers, Jacob Uys


Apesar das discórdia existente entre os Voortrekkers e os Britânicos, havia um cavalheirismo e mesmo uma ajuda entre os povos, ambos eram católicos e muitos devotos. Este painel, assim como outros, tem a fisionomia em homenagem aos homens da época, seus rostos foram esculpidos à base de fotografias de seus líderes. Thomas Phillips entrega a bíblia a Jacob Uys em sinal de agradecimento por tudo que eles haviam feito pela colônia, mais tarde eles lutariam juntos contra os Xhosa. As vestimentas de época e a atenção aos detalhes, observar ao lado esquerdo, a mulher em 45 graus, indo para de traz da figura masculina e o detalhe do sapato coberto por uma ponta de tecido. Outro ponto interessante é a idosa sentada "avó Stoffberg" uma célebre mulher da comunidade serviu de modelo para esta imagem, que aparece de pé no painel 6.

3 - Trichardt no Soutpansberg


Imagem do primeiro grupo dos Voortrekkers, em 1835 o grupo de Trichardt (figura central) parte em direção a região de Soutpansberg, onde se fixa. Ao fundo além das montanhas da região, se vê uma construção, a primeira escola, também representada pelos livros e pelo formato triangular da porta (desenho típico das construções).
O comércio do grupo também está representado: a direita um homem segura um marfim (presa de elefante) e a esquerda outro de costas carrega uma pele de animal, estes produtos eram comercializado com os portugueses. Este grupo não ficou muito tempo nestas terras, pois sofreu muito com a malária e acabaram se locomovendo em direção ao distrito de Lourenço Marques.

4 - Chegada de Trichardt a Lourenço Marques
(atual Maputo onde moro!)


Este painel contém dois momentos, a direita se vê o cenário de uma construção portuguesa com navios, Lourenço Marques. Do grupo de Trichardt, apenas vinte homens chegaram com vida, a mulher de Trichardt aparece apoiada e doente, seus homens, representado apenas pela figura do homem cansado. Trichardt aparece em pé, entregando sua arma ao governador Portugês Antônio Gamitto, representado e usando a "camisola", uniforme, Português.

5 - Ataque dos Ndebele contra os Voortrekkers em Vegkop (1836)

Outro gurpo de Voortrekkers, este liderado por Hendrik Potgieter (1792 - 1852) (esculpido no lado externo do monumento lembra?). Com um grande grupo se fixaram na região de Thaba Nchu, local onde havia uma tensão entre grupos já fixados na região. MoroKa II, rei dos Rolong (e Makwana, rei dos Taung) receberam os Voortrekkers e assinaram um tratado, onde davam terras em troca de proteção contra os Ndebele, um grupo separatista dos Zulus entraram em conflito com os Voortrekkers. O painel mostra a batalha de Vegkop onde os Voortrekkers combateram 6.000 guerreiros Ndebele.

É possível ver o sistema defensivo dos carros-de-bois posicionados em forma circular, igual ao que vemos do lado externo do monumento, entre os carros se vê o exército Ndebele em número muito maior.

Atrás dos carros os Voortrekkers armados, homens e mulheres envolvidos no combate, lutando, atirando e sendo feridos.
Em primeiro plano vemos um grupo de mulheres a carregar as armas enquanto outro grupo, formado por uma criança (homenagem ao presidente Paul Kruger que participou da batalha com 11 anos) e duas mulheres cuidando de um ferido. Esta batalha foi ganha pelos Voortrekkers, que apesar de estarem em menor número possuíam armas de fogo. A batalha levou seu gado, roubado ou morto, o que acabou prejudicando muito os Voortrekkers que ficaram sem alimento e meio de locomoção.

6 - Retief presta Juramento como Governador dos Voortrekkers

O grupo se desloca para o Rio Vet onde continua o projeto do Estado Livre, lá Retief faz o juramento perante o Reverendo Erasmus Shith (homenageado com sua escultura feita a partir de uma foto). Em seguida o grupo se dividiu em dois, uma parte seguiu Retief em direção a Natal, enquanto outra parte, liderada por Potgieter, outro líder, parte para o combate contra os Ndebele pelas terras do acordo.

7 - Batalha contra os Ndebele em eGabeni/Kapain (1837)


Agora preparado para a batatalha os Voortrekkers liderados por Potgieter entram em combate contra os Ndebele e desta vez sai vitorioso. Segundo relatos houve uma batalha sangrenta, de um lado os Voortrekkers com armas de fogo, soldados e cavalos, do outro os Ndebele, com lanças e escudos de couro de animal montados em bois. Esta batalha resultou na movimentação os Ndebele, que cruzaram o Lipompo em busca por novas terras, entrando em conflito com os Shona. Atualmente a região do Zimbawe.

8 - Acordo de paz com Moroka do Rolong


Os Voortrekkers foram muito gratos aos Rolong e ao rei MoroKa II, que os ajudaram depois da batalha de Vegkop. Este painel representa os votos de paz dos Voortrekkers que se reuniram com o rei em sinal de paz.

Acho que este "post" já está demasiado longo, mas acho que já deu para se ter uma idéia de como foi este período, a luta pela terra e o choque entre povos muito diferentes, sempre resultando em conflitos, derrota ou submissão dos povos com menor força de "fogo".

Os Ndebele apesar de serem em número muito maiores - quase 1 para 10 - não conseguiram manter suas terras e seu local, sendo obrigados a fugirem e em "dominó" entrararem em vários conflitos.


Certamente que esta narrativa deve ser deturpada, mas o principal é este monumento que ficou e conta a história através da visão dos Voortrekkers. Vale a pena procurar esta mesma história contada pelos africanos, deve ser bem diferente.

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2 comentários:

Anônimo disse...

Gab,gostei sim muito da historia, gostei mais ainda da descrição minuciosa dos painéis de relevo, alem de elucidativa é uma delicia aprender com a beleza dos relevos. Vou procurar saber mais sobre esses embates entre Vootrekkers, Nebele montados em touro com escudos de couro.
um abração.
B.

Vida de Turista disse...

Gabriel..
Legal conhecer mais um blog que fala de turismo e viagens..
Conheci o seu no Best Blogs Brazil..
Parabéns pela indicação e conteúdo.. Estão muito bons..
Quando puder, dá uma passada lá no meu blog de turismo e viagens..
Abraços,
Thiago